Porto Alegre, 20 de março de 2026 – Uma forte movimentação compradora impulsionou os contratos futuros do algodão no terminal de Nova York ao longo desta semana. O avanço foi puxado, principalmente, pela cobertura de posições vendidas por parte de fundos, o que explica a rápida e intensa alta das cotações. O mercado ficou mais sensível às notícias de seca nos Estados Unidos e à disparada do petróleo. “O fato é que o algodão começou a incorporar o risco climático nos EUA, onde cerca de 88% da área produtora está atualmente sob condições de seca, diante de temperaturas recordes e precipitações bem abaixo da média para março. Além disso, o calor deve persistir nas próximas semanas”, disse o analista da Consultoria Safras & Mercado, Gil Barabach.
Segundo o analista, a mudança na leitura de mercado e a agressividade na redução das posições vendidas por parte dos fundos ajudaram a intensificar à alta do algodão em Nova York. O último relatório da CFTC, referente ao final do pregão de 10 de março, mostrou que os fundos detinham uma posição líquida vendida de 21.031 contratos — uma redução de 7.066 contratos em relação à semana anterior –, sinalizando o desmonte da carteira vendida.
“Esse movimento de liquidação foi acompanhado por forte demanda compradora, o que ajuda a explicar o rali recente das cotações”, apontou Barabach.
O petróleo segue em alta, próximo de US$ 100 por barril (WTI), em meio a dificuldades de transporte no Estreito de Ormuz, decorrentes do conflito no Oriente Médio. No caso do algodão, a valorização do petróleo encarece as fibras sintéticas concorrentes, abrindo espaço para maior utilização da fibra natural pela indústria têxtil. A relação de preços entre algodão e poliéster atingiu o melhor patamar desde 2020.
Após o contrato maio/26 do algodão superar a linha de 70 centavos, o mercado passou por correção, mas segue próximo da linha de 68 centavos. Com isso, mantém a estrutura de alta e indica uma mudança para cima no patamar de atuação. Segundo Barabach, tecnicamente, o mercado sustenta ampla vantagem em relação à média móvel de 100 períodos, com o cruzamento das médias (21 sobre 100) reforçando os sinais positivos.
Fábio Rübenich (fabio@safras.com.br) / Safras News
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