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Alta do petróleo, impacto cambial e encarecimento logístico são riscos imediatos do conflito no Irã para o Brasil

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São Paulo, 3 de março de 2026 – A escalada militar envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã deve produzir efeitos relevantes sobre a economia brasileira, combinando riscos macroeconômicos e possíveis oportunidades comerciais. A avaliação é de dois especialistas que analisam o cenário sob as perspectivas tributária e de comércio internacional.

Para o advogado tributarista Luís Garcia, sócio do Tax Group, o Brasil é estruturalmente vulnerável às consequências do conflito. A principal preocupação está no mercado de energia, especialmente diante de eventuais tensões no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o escoamento global de petróleo.

O aumento do valor do barril gera pressão inflacionária imediata no Brasil, encarece combustíveis, eleva o frete e impacta os alimentos. Isso pode interromper a trajetória de queda dos juros e até pressionar por novas altas, afirma.

Segundo ele, embora possa haver ganho pontual para a Petrobras com a valorização do petróleo no mercado externo, o efeito líquido para a economia tende a ser negativo. A alta do diesel e de outros derivados pressiona cadeias produtivas, reduz o ritmo da atividade econômica e pode afetar a arrecadação em um momento de necessidade de ajuste fiscal.

No comércio exterior, Garcia destaca três vetores de encarecimento: aumento do frete marítimo, elevação dos prêmios de seguro em razão do risco geopolítico e maior rigor no compliance bancário internacional com o avanço de sanções. O Brasil depende do transporte marítimo e é sensível à valorização do dólar, o que encarece importações e amplia a volatilidade, explica.

Sob a ótica do comércio internacional, Ricardo Inglez de Souza, sócio do IW Melcheds Advogados, vê um cenário de riscos, mas também de reposicionamento estratégico. Ele aponta que, em momentos de instabilidade, países tendem a diversificar fornecedores e priorizar parceiros considerados estáveis.

O Brasil pode ocupar espaços deixados por fornecedores afetados direta ou indiretamente pelo conflito, especialmente em petróleo, minerais e alimentos, afirma. Como exportador relevante de ferro, níquel, cobre, carne e soja, o país pode ampliar sua presença em mercados que busquem alternativas mais seguras.

Inglez ressalta, contudo, que o ganho potencial não elimina os desafios. A alta do petróleo encarece combustíveis no mercado interno e impacta transporte rodoviário, setor aéreo e cadeias logísticas. No agronegócio, fertilizantes e insumos importados de regiões afetadas também podem registrar aumento de preço.

No plano financeiro, ele chama atenção para a política monetária dos Estados Unidos. Caso os juros permaneçam elevados ou sofram nova pressão, o fluxo de capitais para economias emergentes pode diminuir, pressionando o câmbio brasileiro.

Para ambos os especialistas, o conflito expõe fragilidades estruturais da economia nacional, como dependência energética, exposição cambial e custos logísticos, mas também coloca o Brasil diante de uma encruzilhada estratégica.

Não estamos no centro do conflito, mas estamos no centro das consequências econômicas dele, resume Garcia. Já Inglez conclui: A forma como o Brasil se posicionar institucionalmente e estruturar suas cadeias produtivas será determinante para transformar instabilidade global em ganho estratégico.

IBP espera que conflito no Oriente Médio mude o patamar de preços do petróleo e gás natural

O Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) alerta que o aprofundamento do conflito bélico no Oriente Médio pode trazer impactos ao mercado de óleo e gás, especialmente com o fechamento do Estreito de Ormuz, canal por onde circula diariamente cerca de 25% do petróleo exportado mundialmente, além de volumes expressivos de gás natural de países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar e Omã. Um resultado esperado é a alteração do patamar de preços do petróleo e do gás natural.

Eventuais bloqueios ou ataques à infraestrutura da região podem causar severas disrupções, afetando prioritariamente o abastecimento de grandes economias asiáticas como China, India e Japão. A perda de competitividade dessas economias e a pressão sobre os preços do petróleo e gás natural são consequências diretas caso as hostilidades se prolonguem.

Neste cenário, o Brasil se apresenta como um fornecedor seguro e confiável em um ambiente de negócios estável, além de oferecer um petróleo de excelente qualidade, com baixo teor de enxofre e baixa emissão de carbono. O IBP destaca que o país vem aumentando sua produção, é o 9º maior exportador mundial e já destina 67% de seu volume exportado de petróleo para a Ásia.

Diante das instabilidades geopolíticas, o IBP ressalta também a importância do Brasil manter investimentos constantes em exploração e produção para a descoberta de novas fronteiras como a Margem Equatorial para a garantia da segurança energética, aumento da oferta exportadora e para se evitar que o país volte à condição de importador de petróleo na próxima década.

APS se mantém atenta e informa que conflito entre EUA e Irã não afetou Porto de Santos

A Autoridade Portuária de Santos (APS) disse que “acompanha com atenção a evolução do cenário no Oriente Médio”. “Até o momento, não há indicação de impactos diretos nas rotas marítimas que operam no Porto de Santos, já que as principais linhas que atendem o Brasil não dependem diretamente das áreas mais sensíveis do conflito”, informou a Diretoria de Operações, em comunicado divulgado na tarde de segunda-feira (2).

“A equipe permanece atenta, pois é importante considerar que a logística marítima hoje é global e altamente integrada, o que significa que tensões regionais podem gerar efeitos indiretos, como ajustes de rotas ou reprogramações operacionais. Em cenários de guerra, é difícil prever todos os desdobramentos, mesmo estando geograficamente distantes”, disse, no comunicado.

A APS segue monitorando o contexto internacional e mantém diálogo constante com os operadores privados, armadores e demais agentes da comunidade portuária, que não registraram, até o momento, qualquer comprometimento das operações no Porto de Santos.

Não há indicação de alteração nas escalas ou comprometimento das operações no porto em função desse cenário. O Porto de Santos é resiliente justamente por ter muitas conexões e alternativas para atender seus cerca de 600 locais de destino, afirmou o presidente da APS, Anderson Pomini.

Cynara Escobar – cynara.escobar@cma.com.br (Safras News)

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