Porto Alegre, 26 de fevereiro de 2026 – O mercado internacional de café apresentou fortes baixas nos preços no mês de fevereiro. As cotações do arábica na Bolsa de Nova York e do robusta em Londres despencaram, atingindo os níveis mais baixos em mais de 6 meses. No Brasil, o café também recuou forte, acompanhando as bolsas, e com o dólar também não ajudando em nada na formação dos preços.
As perspectivas de melhora na oferta global no ano de 2026 e na temporada 2026/27 pressionaram as cotações nas bolsas. E o motivo principal está no maior otimismo com a safra brasileira 2026/27, que começa a ser colhida nos próximos meses. As condições climáticas foram muito mais favoráveis em janeiro e fevereiro, com chuvas mais frequentes, até em excesso, e temperaturas também mais benéficas.
Assim, a safra brasileira passou a ser revisada para cima em relação a avaliações anteriores, especialmente para o arábica. Naturalmente, há um peso sobre os preços futuros nas bolsas. Como ratifica o analista de Safras & Mercado, Gil Barabach, em meio à falta de novos drivers, o mercado antecipa o cenário de safra grande de 2026 e vai se acomodando em patamar mais baixos.
Em algumas sessões, observa o analista, o mercado até mostra alguma reação, mas esses ganhos estão ligados à correção técnica ou ajustes depois de cair no patamar mais baixo em 6 meses. “Falta consistência para sustentar ganhos. O clima favorável no Brasil, com chuvas mais regulares, e uma demanda mais tranquila acabam tirando tração de alta do mercado, que em meio aos voos de galinha acentua a inclinação negativa, testando fundos”, avalia.
O mercado recebeu de forma bem negativa para os preços neste fim de mês a estimativa do banco holandês Rabobank de que em 2026/27 o mundo deve ter a maior produção global da história para o café. Segundo o Rabobank, a safra mundial deverá atingir 180 milhões de sacas de 60 kg na temporada 2026/27, que começa em outubro, a maior oferta anual já registrada.
No balanço de fevereiro, na Bolsa de NY, o contrato maio/2026 do café arábica acumulou desvalorização de 10,5%, caindo de 315,35 centavos de dólar por libra-peso no último dia de janeiro para 282,30 centavos de dólar por libra-peso no fechamento de 26 de fevereiro. O robusta em Londres teve queda de 9,9% no mesmo comparativo no contrato maio.
O mercado físico seguiu o comportamento das bolsas e o dólar em queda ainda foi mais um elemento negativo. A moeda no comercial acumulou baixa de 2% em fevereiro, até dia 26. Os produtores procuram dosar a oferta para suavizar a pressão das bolsas, mas os compradores também estão cautelosos.
Barabach comenta que a indústria doméstica permanece na defensiva, comprando apenas para manter o estoque de segurança, e monitora a fraqueza dos preços do arábica enquanto aguarda a chegada da nova safra. “A demanda externa segue distante do conilon brasileiro, ainda focada na entrada da safra do Vietnã”, indica.
O café arábica bebida boa no sul de Minas Gerais acumulou baixa de 11,5% em fevereiro até o dia 26, recuando de R$ 2.090,00 para R$ 1.850,00 a saca. No mesmo comparativo, o conilon, tipo 7, em Vitória/Espírito Santo, acumulou uma queda de 15,7%, passando de R$ 1.210,00 a saca para R$ 1.020,00 a saca na base de compra.
Lessandro Carvalho (lessandro@safras.com.br) / Agência Safras News
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