São Paulo, 27 de fevereiro de 2026 – A B3 (B3SA3) divulgou ontem (26) os resultados financeiros do quarto trimestre e o consolidado de 2025. O lucro líquido atribuído aos acionistas da B3 foi de R$ 907,8 milhões no 4T25, queda de 23%, na comparação anual, refletindo principalmente o impacto da atualização do imposto diferido.
Excluindo os itens não-recorrentes destacados abaixo e ajustando o benefício tributário do ágio, o lucro líquido teria atingido R$ 1,5 bilhão no trimestre, alta de 25,3% em relação ao 4T24. A empresa ressalta que, com as incorporações da Neoway e da Neurotech a partir do 2T25, passou a reconhecer o benefício fiscal da amortização do ágio d essas aquisições , que no trimestre totalizou R$ 40,7 milhões.
No ano, o lucro líquido recorrente totalizou R$5,3 bilhões, crescimento de 10%. O lucro líquido recorrente por ação foi de R$1,01, contra R$0,88 no ano anterior, o que representa crescimento de 16% e reflete a execução dos programas de recompra de ações pela companhia.
No ano, as receitas somaram R$11,1 bilhões, crescimento de 5% em relação a 2024.
Em 2025, a B3 consolidou a força do seu modelo de negócios diversificado, sustentado por uma estratégia consistente e executada com eficiência, disciplina e clareza de propósito. Em um cenário macro ainda desafiador, a companhia manteve sua excelência operacional ao mesmo tempo em que acelerou a modernização de sua infraestrutura tecnológica e expandiu seu portfólio de produtos, reforçando a prontidão para capturar oportunidades, comenta André Veiga Milanez, diretor-executivo Financeiro, Administrativo e de Relações com Investidores.
As despesas somaram R$3,4 bilhões, com crescimento de 1%. Excluindo as linhas de depreciação e amortização e atreladas ao faturamento, o crescimento teria sido de 5%, levemente acima da inflação do período, reforçando a disciplina no controle de despesas sem comprometer a agenda robusta de lançamento e fortalecimento de produtos.
Em 2025, o retorno aos acionistas foi de R$6,3 bilhões, sendo R$3,0 bilhões em JCP e R$3,3 bilhões em recompras, o que representou 4,6% do capital social da companhia. O payout, que é o percentual de lucro que uma empresa paga aos seus acionistas foi de 137%, no período.
No final do ano passado, foi anunciado o aumento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), com isso, a B3 reconheceu um impacto na atualização dos impostos diferidos ligados à amortização fiscal do ágio, no valor de aproximadamente R$1,0 bilhão. No entanto, a movimentação contábil é pontual e extraordinária, o benefício fiscal já foi utilizado e não causará nenhum reflexo na geração de caixa da companhia.
O lançamento contínuo de produtos, soluções e inovações também faz parte da estratégia para que a companhia siga evoluindo de forma robusta e saudável. Ao longo do ano foram lançados 12 índices e 19 produtos de derivativos. A B3 também promoveu avanços significativos em sua plataforma de negociação secundária de renda fixa, Trademate, e na preparação para atuação no mercado de duplicatas escriturais, com a aquisição das empresas Shipay e CRDC.
Em 2026, a estratégia da companhia permanece ancorada em dois principais pilares: fortalecimento e dos negócios principais e diversificação em atividades que potencializem suas características únicas. O foco é maximizar as oportunidades nos negócios principais e antecipar tendências, por meio da contínua expansão do portfólio de produtos e serviços, do fortalecimento da infraestrutura tecnológica e da adoção de inteligência artificial e tecnologias emergentes.
Mercados
O segmento Mercados, que inclui Renda Variável, Derivativos, Empréstimo de Ativos, Renda Fixa e Crédito, teve receita de R$ 7,4 bilhões no ano, o que representa aumento de 3,1% em comparação com 2024.
Em Renda Variável, o volume financeiro médio diário negociado (ADTV) do mercado à vista totalizou R$24,4 bilhões, o que representa alta de 1,5% em relação a 2024. Os volumes de ETFs e BDRs registraram altas de 13,3% e 48,0%, que compensaram a queda de 1,1% em ações. A participação de ETFs, BDRs e Fundos Listados representaram 15,5% do volume total no ano, versus 13% em 2024. As receitas do segmento totalizaram R$2,2 bilhões, uma queda de 2,4%. Mesmo com a taxa Selic no patamar de 15% ao ano, os volumes ficaram significativamente acima dos níveis pré-pandemia, evidenciando a importante evolução estrutural do mercado.
Em Derivativos, o volume médio diário negociado (ADV) somou 10,8 milhões, 6,3% abaixo de 2024. Já em Derivativos de Balcão, as emissões cresceram 6,0%, enquanto o estoque cresceu 17,0%. Mesmo com redução nos volumes, a receita reduziu apenas 1,5%, somando R$3,6 bilhões, demonstrando a eficácia dos mecanismos de tarifação do segmento.
No segmento de Renda Fixa e Crédito, o volume de novas emissões de instrumentos de captação bancária cresceu 18,0%, principalmente em razão do aumento de 17,9% nas emissões de CDBs. As emissões de outros instrumentos de renda fixa tiveram alta de 13,5%. O estoque médio de instrumentos de captação bancária teve aumento de 16,3%, enquanto o estoque de debêntures cresceu 21,6%, demonstrando mais um ano de atividade robusta no mercado primário de dívida corporativa. O Tesouro Direto registrou aumentos de 17,2% no número de investidores e de 27,2% no estoque médio.
Outros segmentos
O segmento Soluções para o Mercado de Capitais teve receita de R$ 672,4 milhões, alta de 10,1%. Em dados para mercados de capitais, a receita foi de R$327,1 milhões, no ano, alta de 15,3%, explicada pelo crescimento da receita dos produtos e pela correção por inflação dos preços do market data. Na depositária, o número médio de investidores cresceu 4,0% e as receitas somaram R$206,2 milhões, alta de 9,7%.
O segmento de Soluções Analíticas de Dados, que inclui os produtos da Neoway, Neurotech, Unidade de Infraestrutura para Financiamento, Pdtec e Datastock, foi agrupado sob uma nova marca chamada Trillia, com o objetivo de fortalecer o desenvolvimento e a oferta de produtos de dados. Neste segmento, a receita foi de R$1,1 bilhão, alta de 10,3%. A linha de Plataformas e Dados Analíticos teve receita de R$ 551,4 milhões, no ano, alta de 17,5%, explicada pelo crescimento das verticais de Crédito, Prevenção a Perdas e Seguros.
Na unidade de Financiamento, o número de veículos vendidos no Brasil em 2025 aumentou 13,5%, enquanto o número de financiamentos cresceu 2,0%, reflexo da contínua expansão da carteira de crédito para aquisição de veículos. O percentual de veículos financiados alcançou 31,5% dos veículos vendidos. As receitas do segmento totalizaram R$572,1 milhões, com aumento de 4,2%.
O segmento Tecnologias e Plataformas, teve receita de R$ 1,9 bilhão, aumento de 14,8%. A quantidade média de clientes do serviço de utilização mensal dos sistemas de Balcão aumentou 4,5%, devido ao crescimento da indústria de fundos no Brasil. As receitas de Tecnologia somaram R$1,2 bilhão, alta de 9,9%, refletindo o aumento no número de clientes no segmento de Balcão, as correções anuais de preços pela inflação, e o aumento das receitas com co-location e serviços de conectividade.
Cynara Escobar – cynara.escobar@cma.com.br (Safras News)
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