Porto Alegre, 24 de fevereiro de 2026 – A paralisação de uma máquina colheitadeira por falha mecânica durante a safra pode provocar perdas financeiras expressivas ao produtor. O alerta é do gerente de vendas da Multibelt, André Mario, em entrevista exclusiva à Safras News.
O impacto começa já no potencial diário de produção que deixa de ser realizado. O executivo explica que uma plataforma Draper de 45 pés, por exemplo, consegue colher algo em torno de 70 hectares por dia. Com base em estimativas de produtividade de 70 sacas por hectare, a interrupção de um único dia pode representar quase 5 mil sacas que não são retiradas da lavoura.
“Estamos falando de um volume que pode representar mais de R$ 600 mil em produção que deixou de ser colhida naquele dia”, disse.
Além da receita, o gerente de vendas destaca que o atraso gera efeitos indiretos relevantes, principalmente quando a colheita é retomada após eventos climáticos. “Se cai uma chuva nesse intervalo, eu já começo a ter outros impactos, como debulha natural, mais impurezas e até germinação do grão na vagem”, apontou. Essas condições reduzem a qualidade do produto entregue e resultam em descontos comerciais.
De acordo com os cálculos apresentados por Mario, somente as perdas associadas à qualidade (como debulha natural, descontos e secagem) podem alcançar cerca de R$ 50 mil em um único dia de paralisação. Isso sem contar o que não foi colhido. O impacto, porém, não se limita ao momento da colheita. A interrupção compromete a chamada “janela ideal” da operação agrícola, com reflexos na sequência do sistema produtivo.
Outro fator apontado é o aumento de custos operacionais, já que a parada inesperada exige manutenção corretiva, considerada mais onerosa. “A manutenção corretiva é a mais cara, porque ninguém estava prevendo parar naquela hora”, ressalta.
O executivo defende maior atenção à manutenção preventiva e ao acompanhamento das máquinas. Segundo ele, a preventiva segue um calendário e funciona como um check-up geral, permitindo controlar riscos antes que se tornem problemas.
Ele também destacou o avanço da manutenção preditiva, baseada em sensores e telemetria. Nas máquinas mais modernas, os sistemas já indicam quando há desvios de padrão, o que permite deixar de agir apenas por calendário e passar a tomar decisões com base em dados.
“O produtor não vai comprar uma máquina nova agora; ele vai cuidar melhor da que tem”, disse.
Ritiele Rodrigues – ritiele.rodrigues@safras.com.br (Safras News)
Copyright 2026 – Grupo CMA

