Porto Alegre, 13 de fevereiro de 2026 – A semana do mercado doméstico do feijão foi marcada por transição clara entre euforia de preços e racionalização da demanda, com o mercado entrando em pausa técnica após atingir os maiores patamares em quase um ano. De acordo com o analista da Safras & Mercado, Evandro Oliveira, “a liquidez caiu de forma abrupta, com vários pregões sem negócios efetivos, movimento típico de topo de mercado e não de reversão”.
“A sustentação das cotações passou a depender quase exclusivamente da ausência de excedentes, especialmente do grão de alta qualidade, em um ambiente de forte crise de padrão causada por defeitos climáticos”, aponta o analista.
Segundo Oliveira, a estrutura de comercialização consolidou-se em vendas por amostra e operações casadas, eliminando sobra física e protegendo margens. Mesmo com demanda mais cautelosa e varejo testando limites de repasse, os preços permaneceram firmes. No FOB, interior paulista e leste de Goiás, romperam com folga a barreira dos R$ 300/saca, enquanto regiões intermediárias seguiram avançando. “O carioca encerra a semana como motor absoluto de rentabilidade da safra, ainda com poder de barganha concentrado na origem”, observa o analista.
Feijão preto mostra resiliência, mas demanda limita avanços
O feijão preto apresentou dinâmica oposta ao carioca, com comportamento mais técnico e defensivo. “A semana foi de lateralidade, baixo volume de negócios e preços nominais sustentados basicamente pela quebra de safra, especialmente no Paraná”, afirma o especialista. Mesmo operando nos níveis mais altos em quase um ano, o mercado mostrou maior sensibilidade à retração do consumo e ausência de compradores no spot.
Oliveira pontua que a demanda seguiu fraca e seletiva, com contestação de qualidade nos lotes a granel e pouca disponibilidade de padrão extra beneficiado, o que limitou qualquer tentativa de avanço adicional. No FOB, Paraná manteve indicações firmes, Santa Catarina operou com viés mais fraco e o interior paulista registrou ajuste negativo. Por fim, o analista aponta que o mercado encerra a semana resiliente, porém travado, dependendo de reposição efetiva do varejo para romper a atual lateralidade.
Produção brasileira 2025/26 – Conab
A produção brasileira de feijão deverá totalizar 2,966 milhões de toneladas na temporada 2025/26, com recuo de 3,1% na comparação com a temporada anterior, quando foram colhidas 3,059 milhões de toneladas. A projeção faz parte do 5º levantamento de acompanhamento da safra brasileira de grãos, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
A Conab trabalha com uma área de 2,600 milhões de hectares, com recuo de 3,4% frente à safra anterior, de 2,693 milhões de hectares. A produtividade está estimada em 1.141 quilos por hectare, com ganho de 0,4% sobre a temporada anterior (2024/25), de 1.136 quilos por hectare.
A primeira safra de feijão em 2025/26 deverá totalizar produção de 967,2 mil toneladas, recuo de 9% sobre a temporada anterior, quando foram colhidas 1,062 milhão de toneladas.
A segunda safra em 2025/26 está estimada em 1,296 milhão de toneladas, recuo de 2,8% frente ao volume colhido no ano passado, de 1,333 milhão de toneladas. A terceira safra está estimada em 702,6 mil toneladas, com alta de 5,9% sobre 2024/25, de 663,7 mil toneladas.
Sara Lane – sara.silva@safras.com.br (Safras News)
Copyright 2026 – Grupo CMA




