São Paulo, 13 de fevereiro de 2026 – O prejuízo líquido aos acionistas da Vale aumentou de US$ 694 milhões no quarto trimestre de 2024, para US$ 3,84 bilhões entre outubro e dezembro do ano passado (4T25), refletindo uma baixa contábil de US$ 3,5 bilhões dos ativos de níquel da Vale Base Metals (VBM) no Canadá, provocada por uma revisão para baixo das previsões de preços de longo prazo do produto e de uma redução de US$ 2,8 bilhões decorrente da baixa de imposto diferido de subsidiárias.
Apesar de ter retomado a posição de maior produtora mundial de minério de ferro e ter superado metas de produção, a Vale fechou 2025 com queda de 62% no lucro anual, para US$ 2,352 bilhões, refletindo fatores contábeis não-recorrentes.
“O lucro líquido proforma foi de US$ 1,5 bilhão no 4T25, 68% maior na comparação anual, impulsionado principalmente por maior ebitda proforma e impacto da avaliação a valor de mercado dos swaps nos resultados do 4T24, refletindo a depreciação de 14% do real no final daquele trimestre. Esses efeitos positivos foram parcialmente compensados por um aumento de US$ 449 milhões na provisão da Samarco, reconhecido no resultado de Coligadas e Joint Ventures, em função de atualizações relacionadas à Ação no Reino Unido, além da ausência do ganho de US$ 626 milhões registrado no 4T24 referente à aquisição de participação acionária no Minas-Rio, incluído em resultado na alienação de ativos não circulantes”, acrescentou a Vale.
A receita líquida cresceu 9,2% no intervalo, na mesma base de comparação, para US$ 11,06 bilhões.
O ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) em termos ajustados – que incluem dividendos recebidos e juros de empréstimos de coligadas e joint ventures, mas excluem depreciação, exaustão e amortização e redução ao valor recuperável e baixa de ativos não circulantes – aumentou 20,9%, para US$ 4,588 bilhões. O ebitda ajustado proforma, que exclui despesas relacionadas ao desastre de Brumadinho e às doações relacionadas à covid-19, subiu 17,4%, para US$ 4,83 bilhões.
Os custos e despesas totais da Vale (ex-Brumadinho e descaracterização de barragens) cresceram 4,0%, para US$ 7,667 bilhões, enquanto as despesas relacionadas ao rompimento da barragem de Brumadinho e descaracterização de barragens subiram 122,0%, para US$ 246 milhões.
Os investimentos da mineradora cresceram 15,0%, para US$ 2,030 bilhões.
A dívida líquida da companhia ao fim do quarto trimestre de 2025 cresceu 7,0%, para US$ 11,236 bilhões. Já a dívida líquida expandida diminuiu US$ 1,1 bilhão em relação ao 3T25, totalizando US$ 15,6 bilhões, impulsionada principalmente pelo caixa gerado pelas operações.
Neste trimestre, a Vale reconheceu uma provisão adicional de US$ 449 milhões referente à Samarco, relacionada às obrigações da Ação no Reino Unido. A dívida bruta e os arrendamentos atingiram US$ 18,8 bilhões em 31 de dezembro de 2025, US$ 0,3 bilhão maior em relação ao trimestre anterior, principalmente em função do novo financiamento de US$ 420 milhões captado pela Vale Base Metals.
O prazo médio da dívida reduziu para 8,4 anos no final do 4T25 vs. 8,7 anos no final do 3T25. O custo anual médio da dívida após swaps de moeda e taxa de juros foi de 5,3%, ligeiramente abaixo de 5,4% no final do 3T25.
A geração de fluxo de caixa livre Recorrente atingiu US$ 1,7 bilhão, US$ 0,9 bilhão maior na comparação anual, principalmente como resultado de um desempenho mais forte do ebitda e menores despesas financeiras líquidas, beneficiadas pela liquidação de derivativos do programa de swaps cambiais.
O capital de giro positivo no trimestre foi influenciado pela entrada de caixa das vendas de minério de ferro do 3T25 e menores volumes de minério de ferro acumulados ao final do trimestre.
A posição de caixa da Vale foi impactada pela maior geração de fluxo de caixa livre, resultando em um aumento de US$ 1,5 bilhão em caixa e equivalentes de caixa durante o trimestre.
Mensagem do CEO da Vale
Para Gustavo Pimenta, CEO da Vale, a empresa entregou um desempenho “excepcional” em 2025. Ele destacou que a empresa atingiu ou superou todos os guidances, enquanto avançou em prioridades estratégicas que reforçam sua ambição de longo prazo. “A companhia fortaleceu seu compromisso com a segurança, com reduções significativas em incidentes de alto potencial, além de alcançar um marco importante em nossa jornada de segurança, sem nenhuma barragem em nível 3 de emergência. Em nossas operações, atingimos os maiores níveis de produção de minério de ferro e cobre desde 2018 e entregamos crescimento de dois dígitos na produção de níquel. Esse forte desempenho operacional foi suportado pela maior confiabilidade dos ativos e pelo bem-sucedido ramp-up de projetos-chave de crescimento, como Capanema, Vargem Grande, VBME e Onça Puma. Ao mesmo tempo, a empresa continuou a melhorar sua competitividade de custos, capturando eficiências estruturais que aprimoram sua posição na curva global de custos da indústria. Nossa alocação disciplinada de capital, combinada com forte execução e um ciclo mais favorável, nos permitindo entregar retornos superiores aos acionistas”, comentou o executivo, no relatório trimestral.
Para 2026, o CEO disse que a empresa permanece focada na “excelência operacional, no crescimento sustentável por meio de iniciativas como o Programa Novo Carajás, e na entrega de valor de longo prazo superior para todos os nossos stakeholders”.
Destaques
A Vale citou como destaques do resultado reportado na noite de quinta-feira (12):
Forte desempenho operacional e de custos em todos os segmentos de negócio, com todos os guidances para 2025 atingidos.
Vendas robustas no 4T25 e no ano de 2025. As vendas de minério de ferro, cobre e níquel aumentaram 5% (+4 Mt), 8% (+8 kt), e 5% (+3 kt) a/a no 4T25, respectivamente. Em 2025, aumentaram 3% (+8 Mt), 12% (+41 kt), e 11% (+18 kt), respectivamente.
O preço médio realizado de finos de minério de ferro foi 1% maior t/t e 3% a/a, atingindo US$ 95,4/t. O preço realizado de cobre cresceu 12% t/t e 20% a/a para US$ 11.003/t. O preço realizado de níquel recuou em 3% t/t e 7% a/a para US$ 15.015/t.
O custo caixa C1 de finos de minério de ferro atingiu US$ 21,3/t em 2025, 2% menor a/a, marcando o segundo ano consecutivo de redução de custos. No 4T25, o custo caixa C1 também totalizou US$ 21,3/t, 13% maior a/a, em linha com o guidance. O custo all-in de minério de ferro atingiu US$ 54,2/t, 3% menor a/a em 2025 e US$ 54,3/t, 10% maior a/a no 4T25.
Os custos all-in de cobre totalizaram US$ -881/t no trimestre, enquanto os custos all-in do níquel caíram 35% a/a para US$ 9.001/t, devido principalmente a robusta receita de subprodutos e melhorias operacionais em ambos os segmentos. Para 2025, os custos all-in totalizaram US$ 603/t para cobre e US$ 12.158/t para níquel, marcando também o segundo ano consecutivo de redução do custo total.
O EBITDA Proforma totalizou US$ 4,8 bilhões, 17% maior a/a e 10% maior t/t, refletindo uma maior contribuição da Vale Metais Básicos.
CAPEX totalizou US$ 2,0 bilhões no 4T25, em linha com o guidance de CAPEX de US$ 5,5 bilhões para o ano.
O Fluxo de caixa livre recorrente totalizou US$ 1,7 bilhão, US$ 0,9 bilhão maior a/a, devido a um forte EBITDA Proforma e menores despesas financeiras líquidas.
A dívida líquida expandida atingiu US$ 15,6 bilhões ao fim do trimestre, US$ 1,0 bilhão menor t/t, como resultado da sólida geração de fluxo de caixa livre e ajustes de provisão relacionados à Samarco.
US$ 1,8 bilhão em dividendos e juros sobre capital próprio a serem pagos em março, refletindo a política de dividendos, em adição ao US$ 1,0 bilhão em remuneração extraordinária paga em janeiro.
Teleconferência
A Vale realizará um webcast com investidores e analistas para comentar sobre o seu desempenho no 4T25 e 2025 nesta sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026, às 11h, horário de Brasília (10h, horário de Nova York; 14h, horário de Londres). O acesso pela internet ao webcast e materiais de apresentação estarão disponíveis no site da Vale em www.vale.com/investidores. Um replay do webcast estará acessível em www.vale.com começando logo após a conclusão da teleconferência.
Cynara Escobar – cynara.escobar@cma.com.br (Safras News)
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