Cascavel, 11 de fevereiro de 2026 – O Sicredi avaliou que o cenário de juros elevados tem levado os produtores rurais a adotar uma postura mais cautelosa na contratação de crédito. Durante a 38ª edição do Show Rural Coopavel em Cascavel (PR), a instituição destacou que o endividamento existe em casos pontuais, mas afirmou que a maior parte da carteira rural segue adimplente.
Segundo o diretor de negócios da instituição, Gustavo Freitas, o ambiente de Selic elevada impõe desafios adicionais ao crédito agropecuário. “É desafiador, não tem dúvida. A demanda está retraída e exige muito mais análise e cabeça fria para tomar decisão”, afirmou.
O Sicredi ressaltou que parte do endividamento está associada a decisões tomadas em períodos de juros baixos e preços elevados das commodities. “Nós temos uma carteira de cerca de R$ 8 bilhões na cooperativa e 97% é uma carteira adimplente”, afirmou. Segundo a instituição, produtores organizados e com investimentos compatíveis à capacidade financeira mantêm situação equilibrada.
“O problema maior foi a empolgação quando a taxa estava baixa e o preço da soja alto. Depois isso se inverteu e os compromissos já estavam assumidos”, disse o representante.
Em relação às recuperações judiciais no meio rural, a avaliação é de que o movimento tende a perder força. “O crédito é essencial para continuar produzindo. Quando se perde o crédito, não se tem como seguir na atividade”, disse o presidente da Central Sicredi PR/SP/RJ, Manfred Dasenbrock, ao alertar que decisões desse tipo podem comprometer o acesso a financiamento no longo prazo.
Liberação de crédito
Na safra atual, considerando o período de julho a dezembro de 2025, foram liberados R$ 39 bilhões, crescimento de 11% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior. No Paraná e no Brasil, a maior parte dos associados está concentrada nas linhas do Pronaf e do Pronamp, embora a instituição também atenda médios e grandes produtores. O custeio segue como principal componente da carteira, enquanto nas feiras agrícolas predominam os financiamentos voltados a investimentos.
Outro avanço relevante foi o crescimento das operações ligadas à comercialização, com foco na gestão financeira, proteção de preços e orientação ao produtor. Também houve expansão expressiva das linhas em moeda estrangeira, voltadas principalmente a produtores mais tecnificados e integrados ao mercado de exportação. Essas operações somaram R$ 3,4 bilhões, com alta de 79% em seis meses, ampliando o portfólio e a competitividade das condições oferecidas.
Do total liberado na safra, R$ 5,7 bilhões foram destinados a mulheres que lideram propriedades rurais em todo o país, sendo R$ 1,3 bilhão apenas no Paraná. Em parceria com o BNDES, a instituição operou praticamente todas as linhas disponíveis e liberou R$ 11 bilhões no período, dos quais R$ 8,7 bilhões foram destinados ao agronegócio. A carteira de crédito do BNDES já alcançou R$ 34 bilhões. A carteira total de crédito ultrapassou R$ 300 bilhões.
A Safras News realiza cobertura do Show Rural Coopavel in loco.
Ritiele Rodrigues – ritiele.rodrigues@safras.com.br (Safras News)
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