A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, conquistou uma vitória esmagadora nas eleições parlamentares, consolidando um forte mandato político após apenas três meses no cargo. Sua decisão de convocar uma eleição antecipada durante o rigoroso inverno japonês foi vista como um risco, mas os resultados confirmaram sua popularidade. Sua mensagem direta e postura firme atraíram os eleitores, que a enxergam como uma figura prática e determinada em revitalizar a economia japonesa e afirmar o papel do país no cenário internacional.
O Partido Liberal Democrata (PLD) e seu aliado, o Partido da Inovação do Japão, conquistaram 354 dos 465 assentos na câmara baixa, garantindo uma maioria superior a dois terços. Esse domínio permite ao governo de Takaichi aprovar medidas mesmo sem o apoio da câmara alta. Essa vitória também expôs a fraqueza da oposição, especialmente da nova aliança centrista, que não conseguiu mobilizar os eleitores. Muitos japoneses, inclusive sob forte nevasca, compareceram às urnas, motivados pela imagem de Takaichi como líder decidida e confiável.
Apoio dos EUA e desafios
Politicamente, Takaichi é fortemente pró-EUA e pretende aumentar os gastos com defesa, fortalecer a indústria local e consolidar o Japão como parceiro indispensável dos Estados Unidos na Ásia. Ela mantém uma relação próxima com o presidente Donald Trump, que a apoiou publicamente e a parabenizou após a vitória. Takaichi viajará a Washington para reforçar os compromissos de segurança regional, em meio à crescente assertividade da China, especialmente em relação a Taiwan.
No campo econômico, os desafios internos permanecem significativos. Takaichi precisará equilibrar estímulos fiscais e prudência financeira, evitando que novos gastos elevem a inflação ou ampliem a dívida pública. Além disso, enfrenta pressão para melhorar o padrão de vida da população, que sofre com crescimento lento e salários estagnados. Mesmo assim, a amplitude de sua vitória indica que os japoneses confiam em sua capacidade de lidar tanto com as tensões externas – especialmente com a China – quanto com os dilemas econômicos domésticos.

