Porto Alegre, 5 de fevereiro de 2026 – A área cultivada com arroz no Rio Grande do Sul na safra 2025/26 deve ficar abaixo de 900 mil hectares, com estimativa preliminar entre 880 mil e 890 mil hectares, segundo o Instituto Rio Grande do Arroz (Irga). A projeção foi antecipada pelo presidente do órgão, Alexandre Velho, durante reunião entre Farsul, Federarroz, Seapi e Irga. Os dados oficiais devem ser divulgados ao longo da próxima semana.
“O indicativo também é de uma produtividade menor este ano do que foi o ano passado”, disse Velho. Ele relatou que seis regiões arrozeiras do Estado indicam maior incidência de arroz vermelho, problemas de infestação e menor uso de tecnologia, reflexo das restrições de crédito enfrentadas pelos produtores.
“Esse número do Irga vai ser o mais importante para todas as políticas, tanto das entidades quanto da indústria e do poder público”, afirmou o presidente da Farsul, Domingos de Souza.
Segundo Souza, a redução da área confirma a efetividade da orientação das entidades ao setor produtivo, que defenderam o ajuste da oferta como forma de reequilibrar o mercado.
Durante a reunião, as lideranças também detalharam um conjunto de medidas de curto e médio prazo já em andamento para mitigar a pressão sobre os preços do arroz. Entre elas, a busca por flexibilização do ICMS no período de colheita junto ao governo estadual, a desconcentração dos vencimentos das CPRs, hoje concentrados em março e abril, e a discussão com agentes financeiros para alongar prazos de custeio e investimento.
Outro ponto abordado foi o combate à venda irregular de arroz fora de tipo, prática que, segundo as entidades, amplia artificialmente a oferta de cereal tipo 1 e pressiona os preços. Pesquisas estão sendo patrocinadas para subsidiar ações de fiscalização, com atenção especial ao produto oriundo do Mercosul, especialmente do Paraguai.
Em paralelo, representantes da Federarroz e do Irga reforçaram que estudos sobre novos destinos para o grão, como a produção de etanol e bioenergia, seguem em andamento, mas com foco no médio e longo prazo.
“Não estamos tirando o arroz da alimentação. Estamos ampliando as possibilidades, gerando emprego e renda”, afirmou o presidente da Federarroz, Denis Dias Nunes.
Ritiele Rodrigues (ritiele.rodrigues@safras.com.br) / Safras News
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