São Paulo, 4 de fevereiro de 2026 – Em prévia de resultados do quarto trimestre de 2025 (4T25) sobre companhias de agronegócio, o Itaú BBA disse que as estimativas de produção fraca de cana-de-açúcar e dos preços do açúcar impulsionam um trimestre sem grandes novidades.
Em relatório a clientes, o banco apresentou suas projeções mais recentes para Brasilagro, que apresenta os números do segundo trimestre do ano-safra 2025-2026 na quinta-feira (5), após o fechamento do pregão; São Martinho e Jalles Machado, relativos ao terceiro trimestre da safra 25-26, na próxima segunda (9) e no dia 12 de fevereiro, respectivamente.
“Prevemos um ambiente operacional geralmente fraco, visto que as revisões para baixo na produtividade devem pressionar o volume de vendas, juntamente com preços de mercado persistentemente baixos, em linha com as recentes conversas com investidores. Embora esses desafios contínuos possam ser parcialmente compensados pelas estratégias de hedge das empresas nos próximos trimestres, a perspectiva para o setor permanece desafiadora e provavelmente continuará a afetar o sentimento dos investidores, dadas as projeções modestas para o futuro”, comentou o analista do time de Agronegócio do Itaú BBA, Gustavo Troyano.
Brasilagro
Em relação à BrasilAgro, a análise cita que, conforme divulgado pela empresa em novembro de 2025, a menor produtividade da cana-de-açúcar, juntamente com a tendência de queda nos preços das commodities, sugere uma contribuição mais fraca da cultura neste trimestre. Apesar dessa informação, é improvável que surpreenda o mercado neste momento, indicando um impacto limitado no cenário geral, avalia o banco.
“Enquanto isso, dividiríamos o segmento agrícola em duas frentes: i) contribuições sazonalmente baixas e preços fracos das commodities oferecem catalisadores de curto prazo limitados; e ii) por outro lado, como a safra de soja acaba de começar, os investidores podem se concentrar na dinâmica qualitativa do calendário de safras de 2025/26, que pode apresentar melhorias em comparação com o ano anterior”, opina.
São Martinho
Para a São Martinho, o Itaú pontua que, embora os volumes de cana-de-açúcar tenham sido afetados pela menor produtividade no atual calendário de safras, em linha com a projeção revisada, o impacto geral foi parcialmente compensado por números sólidos de ATR (Açúcar Total Recuperável).
Contudo, os analistas do banco esperam uma contribuição menor do que a prevista dos volumes de etanol devido à projeção divulgada para a safra de 2025/26 em comparação com o ano anterior, agravada por um possível atraso nas vendas trimestrais.
Para o açúcar, apesar da contínua fraqueza dos preços e da recente desvalorização do dólar, a estratégia de hedge da empresa deverá mitigar o risco de queda por algum tempo, avaliam.
Jalles Machado
Sobre a Jalles Machado, os analistas do BBA projetam um trimestre sem grandes novidades, em meio a um ambiente amplamente fraco para o setor. A fraqueza geral é impulsionada principalmente por tendências do setor, e não por dinâmicas específicas da empresa, já que a liquidação de hedges da empresa pode não impulsionar significativamente os números ajustados deste trimestre.
“Dito isso, acreditamos que o terceiro trimestre de 2026 provavelmente reforçará que a empresa está no caminho certo para entregar os números esperados para o ano fiscal, sem grandes fontes de assimetrias em meio a um consenso amplamente alinhado, por enquanto.”
Recomendações
O Itaú BBA tem recomendação neutra para Brasilagro (AGRO3), com preço-alvo de R$ 24,00, e de compra para São Martinho (SMTO3) e Jalles Machado (JALL3), com preços-alvo de R$ 31,00 e R$ R$ 4,00, respectivamente.
Cynara Escobar – cynara.escobar@cma.com.br (Safras News)
Copyright 2026 – Grupo CMA

