São Paulo, 3 de fevereiro de 2026 – Na agenda de indicadores que estão no radar do dia desta terça-feira, o destaque é a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada há pouco pelo Banco Central (BC).
O órgão reiterou que “o cenário atual, marcado por elevada incerteza, exige cautela na condução da política monetária”. O Comitê também disse avaliar que “a estratégia em curso tem se mostrado adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”. E disse, ainda, que “em ambiente de inflação menor e transmissão da política monetária mais evidentes, a estratégia envolve calibração do nível de juros”.
O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião. Porém, reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta.
“O compromisso com a meta impõe serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo, que dependerão da evolução de fatores que permitam maior confiança no atingimento da meta para a inflação no horizonte relevante para a condução da política monetária”, disse o Copom, na ata divulgada hoje.
Produção Industrial no Brasil
Outro ponto alto no radar do dia foi a apresentação da Produção Industrial Mensal (PIM) referente a dezembro, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O indicador recuou 1,2% frente a novembro, na série com ajuste sazonal.
No comparativo com o mesmo período de 2024, o avanço foi de 0,4%. 2025 terminou com alta acumulada de 0,60%.
Tanto o resultado mensal quanto o interanual ficaram abaixo das projeções do Termômetro Safras, de -0,7% e 1,20%, respectivamente.
Falas de Haddad
Em uma nova entrevista ao vivo, desta vez, para a BandNews FM, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que, nesse momento, gostaria de participar da campanha do presidente Luís Inácio Lula da Silva. “Porque temos de elaborar um bom plano, mais exigente”, justificou.
Sobre a candidatura ao governo do estado de São Paulo, disse que “está conversando”. “Vamos ver quem convence quem.”
Em relação à sua substituição no cargo de ministro da Fazenda pelo atual secretário-executivo, Dario Durigan, disse que a decisão é do presidente Lula.
O ministro também reclamou do vazamento da indicação do secretário de política econômica da Fazenda, Guilherme Mello, à uma das diretorias do BC, que desagradou o mercado. “Lula não convidou ninguém, ele vai nos chamar, mas reunião não aconteceu, ele é muito zeloso em convidar alguém para um mandato. Quando isso acontecer, vai ser anunciado.”
Haddad também disse que, há três meses, indicou o economista Tiago Cavalcante e o secretário de política econômica da Fazenda para avaliação do presidente.
Os investidores também ficam de olho na retomada das atividades legislativas no Congresso. Entre os temas de destaque nas tramitações do parlamento estão o acordo entre o Mercosul e a União Europeia, a PEC da Segurança Pública, o fim da escala 6×1 e análises de vetos do presidente Lula.
O Congresso Nacional retoma os trabalhos com 73 vetos presidenciais pendentes de votação. Desses, 53 trancam a pauta. Entre as matérias aprovadas pelo Legislativo e barradas pelo Executivo, destaca-se o projeto que reduz as penas para crimes cometidos contra o Estado democrático de direito. Outro veto atinge a lei que flexibiliza as regras de licenciamento ambiental. Os senadores e deputados poderão votar por manter ou derrubar os vetos.
No radar do dia lá fora
Nos Estados Unidos, a Câmara pode votar projeto de lei para suspender o shutdown, que adiou a divulgação do Relatório Jolts, que mede a abertura de vagas e a rotatividade da mão de obra no país, que aconteceria nesta terça-feira.
O mercado também segue atento ao encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, na Casa Branca, e ao discurso do presidente do Fed de Richmond, Tom Barkin, às 10h, enquanto precifica o acordo comercial firmado entre EUA e India na véspera.
CORPORATIVO
Nesta terça-feira, a temporada de balanços terá as divulgações da Latam, ADM, AMD, Corteva, PepsiCo, Merck e Pfizer.
O mês de fevereiro começa com a temporada de resultados trimestrais no radar do noticiário corporativo. Entre as companhias acompanhadas pela Agência Safras News, a temporada de resultados será inaugurada oficialmente pela Brasilagro, que apresenta o seu relatório do segundo trimestre do ano-safra 2025/2026 na próxima quinta-feira (5), e a apresentação pública, em teleconferência, no dia seguinte.
A B3 informou, na noite de segunda-feira (2), que exerceu, nos termos do acordo de acionistas da Dimensa, a opção de venda da totalidade de sua participação de 37,5% no capital social da empresa para a Totvs, pelo montante de R$ 665 milhões, a ser pago por ocasião do fechamento da transação. Com a operação, a Totvs tornou-se única acionista da Dimensa e vendeu a empresa à Evertec por R$ 1,4 bilhão.
A Cosan disse ontem (2) que, no contexto do seu processo de gestão de passivos e foco na redução do endividamento e do custo financeiro, bem como no aprimoramento da sua estrutura de capital, sua subsidiária integral, Cosan Luxembourg S.A., está resgatando integralmente os senior notes com vencimento em junho de 2030 (Bond 2030) e os senior notes com vencimento em janeiro de 2031 (Bond 2031), sendo o montante principal do Bond 2030 de US$269.334.000,00 e o do Bond 2031 de US$300.000.000,00. Com o presente resgate, a Cosan comunicou o repagamento de um total de aproximadamente R$6,2 bilhões em dívidas até o momento.
Cynara Escobar – cynara.escobar@cma.com.br (Safras News)
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