Porto Alegre, 30 de janeiro de 2026 – O mercado internacional de café teve um primeiro mês de 2026 de altos e baixos nos preços, com ampla volatilidade nas bolsas de futuros do arábica em Nova York e do robusta em Londres. Os olhares estão cada vez mais atentos à safra 2026 do Brasil, maior produtor e exportador global, que tem a colheita iniciando pelo conilon entre abril/maio, depois chegando a safra do arábica.
No balanço de janeiro, o arábica caiu em NY e no mercado brasileiro, enquanto o robusta subiu em Londres e o conilon também esteve firme no país. A baixa acumulada até o dia 29 do dólar comercial de 5,35% foi aspecto de pressão sobre as cotações do café no Brasil.
Após um início de ano mais agitado, em função das tensões geopolíticas na América do Sul — envolvendo a Venezuela e o risco de uma eventual escalada do conflito para a Colômbia —, o mercado de café voltou a se acalmar, como destaca o analista de Safras & Mercado, Gil Barabach. “Com isso, os preços retornaram ao intervalo de atuação observado em dezembro, dando sequência ao movimento de correção negativa iniciado no final de 2025”, apontou.
“Pesam contra o arábica no terminal de Nova York, além da melhora no fluxo global, impulsionada pela eliminação de tarifas nos Estados Unidos e pelo adiamento da EUDR, as condições climáticas mais favoráveis no Brasil, com o retorno das chuvas e temperaturas mais amenas”, avalia Barabach. Novos “tours de safra” voltam a sinalizar maior otimismo produtivo, reforçando a percepção de que o Brasil deve colher uma safra maior de arábica neste ano.
Nesse contexto, indica o analista, o contrato março/26 voltou a se inclinar negativamente, testando os fundos registrados em dezembro e ensaiando acomodação de baixa. “As oscilações do dólar e do petróleo seguem adicionando volatilidade ao mercado, em meio à pressão negativa associada à melhora do fluxo global”, coloca.
Na contramão, o robusta ganha valor relativo frente ao arábica. A postura mais defensiva dos vendedores no Vietnã, mesmo em pleno período de safra, tem reduzido a oferta disponível, oferecendo suporte aos diferenciais e influenciando positivamente a curva de preços no terminal de Londres.
No balanço de janeiro, na Bolsa de NY, o contrato março/2026 do café arábica acumulou desvalorização de 0,9%, caindo de 348,75 centavos de dólar por libra-peso no último dia de dezembro para 345,50 centavos de dólar por libra-peso no fechamento de 29 de janeiro. O robusta em Londres teve alta de 5,8% no mesmo comparativo no contrato março.
O mercado físico acompanhou o movimento externo, com o arábica caindo e o conilon tendo suporte, mas tendo a pressão do dólar. O café arábica bebida boa no sul de Minas Gerais acumulou baixa de 2,6% em janeiro até o dia 29, caindo mais que em NY porque o dólar pressionou mais. No mesmo comparativo, o conilon, tipo 7, em Vitória/Espírito Santo, acumulou uma alta de 0,8%, passando de R$ 1.240,00 a saca para R$ 1.250,00 a saca na base de compra.
Barabach indica que o fato é que o mercado passa a olhar cada vez mais para 2026, precificando a expectativa de melhora na oferta global, em contraste com o aperto observado em 2025. “É verdade que o cenário produtivo ainda permanece bastante aberto, o que torna esse ajuste gradual e sujeito a episódios de volatilidade, sobretudo diante dos estoques ainda baixos e dos riscos ao abastecimento”, avalia.
Para o produtor, segundo o analista, o momento exige atenção redobrada à volatilidade do dólar e às oscilações das bolsas de Nova York e Londres, além de uma gestão cuidadosa do fluxo de comercialização. “A oferta curta no mercado disponível favorece estratégias de vendas dosadas, mas a perspectiva de maior oferta futura acende o alerta para não perder o chamado “timing de mercado”. Equilibrar essas duas estratégias é, hoje, o principal desafio do produtor”, conclui.
Lessandro Carvalho (lessandro@safras.com.br) / Agência Safras News
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