Porto Alegre, 30 de janeiro de 2026 – O mercado brasileiro de milho registrou preços mais baixos ao longo de janeiro. Segundo o analista de Safras & Mercado, Fernando Iglesias, os consumidores viraram o ano bem estocados de milho e isso contribuiu para que a pressão sobre as cotações aumentasse durante o mês. “Houve queda de preços no Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, dentre outras praças”, avalia.
Para o curto prazo, a tendência ainda é de baixa nos preços, com o avanço da colheita da safra de verão em alguns estados, como Rio Grande do Sul e Santa Catarina, muito embora nas demais praças os trabalhos no campo devam acontecer mais adiante.
No cenário internacional, o mercado teve um mês de janeiro marcado por bastante instabilidade. O milho sinalizou um movimento de alta até a divulgação do relatório de oferta e demanda de janeiro, no último dia 12. Tudo mudou quando o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos sinalizou os maiores estoques da história para o país na posição 1 de dezembro, de 13,282 bilhões de bushels e quando apontou uma expectativa de elevação no quadro de estoques da safra do país e mundial em 2025/26, de 2,227 bilhões de bushels e de 290,91 milhões de toneladas de milho, respectivamente.
Esse quadro apontando para uma forte oferta global derrubou as cotações em Chicago de forma bem expressiva. Desde então, a Bolsa vem tentando uma recuperação gradativa nos preços, influenciada por fatores de demanda para o cereal norte-americano e algumas perdas por seca na safra da América do Sul, em especial na Argentina. Mas em relação ao final de dezembro, até ontem (29), o mercado acumulava uma perda mensal de 2,6%.
Preços internos do milho
O valor médio da saca de milho no Brasil foi cotado a R$ 63,57 no dia 29 de janeiro, baixa de 6,09% frente aos R$ 67,69 registrados no final de dezembro. No mercado disponível ao produtor, o preço do milho em Cascavel, Paraná, foi cotado a R$ 63,00, queda de 3,08% frente ao valor praticado no fechamento do mês passado, de R$ 65,00.
Em Campinas/CIF, a cotação ficou em R$ 68,00, baixa de 8,11% frente aos R$ 74,00 praticados no encerramento do mês passado. Na região da Mogiana paulista, a saca do cereal caiu 7,14%, de R$ 70,00 para R$ 65,00 ao longo do mês.
Em Rondonópolis, Mato Grosso, a saca foi cotada a R$ 56,00, queda de 12,5% ante os R$ 64,00 registrados no fim do mês passado. Em Erechim, Rio Grande do Sul, o preço ficou em R$ 65,00, 7,14% aquém dos R$ 70,00 registrados no final do mês anterior.
Em Uberlândia, Minas Gerais, o preço na venda para a saca baixou 5,97%, de R$ 67,00 para R$ 63,00 ao longo do mês. Já em Rio Verde, Goiás, a saca foi cotada em R$ 60,00, queda de 4,76% ante os R$ 63,00 praticados no final do último mês.
Exportações
As exportações de milho do Brasil apresentaram receita de US$ 835,969 milhões em janeiro até o momento (16 dias úteis), com média diária de US$ 52,248 milhões. A quantidade total de milho exportada pelo país ficou em 3,744 milhões de toneladas, com média de 234,037 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 223,20.
Em relação a janeiro de 2025, houve alta de 45,5% no valor médio diário da exportação, ganho de 43,3% na quantidade média diária exportada e valorização de 1,6% no preço médio. Os dados foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior.
Arno Baasch – arno@safras.com.br (Safras News)
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