Porto Alegre, 23 de janeiro de 2026 – Os preços do café recuaram nesta semana para o arábica na Bolsa de Nova York, que baliza às cotações internacionais, com o arábica e o conilon no Brasil também recuando. Porém, o robusta na Bolsa de Londres mostrou preços mais altos, atingindo os patamares mais elevados em 40 dias.
A volatilidade no mercado internacional persiste. No geral, as indicações de condições climáticas mais favoráveis no Brasil, com chuvas no cinturão cafeeiro do país, benéficas ao desenvolvimento da safra 2026, foram aspecto de pressão sobre as cotações em NY. As previsões privadas, especialmente, vão indicando uma safra brasileira melhor de arábica em 2026, o que mantêm-se como fator baixista.
O consultor de Safras & Mercado, Gil Barabach, salienta que a melhora no fluxo global, com o fim das tarifas americanas sobre as importações brasileiras, e o adiamento da EUDR (Regulamento de Desmatamento da União Europeia), tranquilizaram o mercado e são um aspecto de pressão sobre as cotações. O alívio nas tensões geopolíticas na América do Sul, após a intervenção americana na Venezuela e temores de outras incursões na Colômbia, segundo maior produtor de arábica do mundo, também é negativo para as cotações.
Como fator limitante para as perdas em NY, o dólar em baixa contra o real no Brasil oferece suporte às cotações.
No balanço dos últimos sete dias, entre as quintas-feiras, 15 e 22 de janeiro, o café arábica na Bolsa de Nova York para março/2026 caiu de 358,10 para 347,70 centavos de dólar por libra-peso, baixa acumulada no comparativo de 2,9%.
No entanto, o robusta em Londres para março/2026, no mesmo intervalo, subiu 0,6%. O robusta encontra suporte no movimento mais lento nas vendas por parte dos produtores no Vietnã, à espera de preços mais favoráveis para as negociações.
No mercado físico brasileiro, entre os dias 15 e 22 de janeiro, os preços para o arábica bebida boa no sul de Minas Gerais caíram de R$ 2.270,00 a saca na base de compra para R$ 2.190,00 a saca, queda de 3,5%. O conilon tipo 7 em Vitória, Espírito Santo, neste período, recuou de R$ 1.300,00 para R$ 1.270,00, baixa de 2,3%.
O dólar comercial entre 15 e 22 de janeiro baixou 1,6%.
EXPORTAÇÕES
De acordo com o relatório estatístico mensal do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), o país embarcou, para 121 destinos, 40,049 milhões de sacas de 60 kg de todos os tipos do produto nos 12 meses de 2025, o que implica declínio de 20,8% em relação ao ano anterior. Apesar da queda em volume, a receita cambial, de US$ 15,586 bilhões, foi recorde anual, apresentando crescimento de 24,1% ante 2024.
Esse desempenho foi alcançado com as 3,133 milhões de sacas exportadas em dezembro do ano passado (-20,2% frente a dez/24), que renderam US$ 1,313 bilhão (+10,7%) ao país. Já no acumulado do primeiro semestre da safra 2025/26, o Brasil remeteu 20,610 milhões de sacas ao exterior, com receita de US$ 8,054 bilhões, performance que corresponde a um declínio de 21,3% em volume, mas incremento de 11,7% em valor na comparação com o intervalo de julho a dezembro de 2024.
Lessandro Carvalho (lessandro@safras.com.br) / Agência Safras News
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