Porto Alegre, 23 de janeiro de 2026 – O mercado brasileiro de trigo encerrou a semana com poucas mudanças estruturais, mantendo liquidez moderada, negociações pontuais e forte influência da paridade de importação na formação de preços. Segundo o analista de Safras & Mercado, Elcio Bento, os moinhos seguem abastecidos e atuam de forma cautelosa, priorizando compras de oportunidade e mantendo foco em embarques a partir da segunda quinzena de fevereiro.
Ao longo da semana, o comportamento foi marcado pela dificuldade de convergência entre preços pedidos e indicações de compra, especialmente na região Sul. “Do lado vendedor, as pedidas seguem próximas de R$ 1.300 por tonelada FOB, sem registros de negócios nesse patamar”, observa Bento. A seletividade quanto à qualidade do grão e a postura defensiva dos compradores limitaram o volume de negócios no mercado spot.
No Paraná, o mercado apresentou comportamento regionalizado. Nos Campos Gerais, os moinhos indicaram interesse entre R$ 1.200 e R$ 1.250 por tonelada para embarques em março e abril, enquanto compradores com maior necessidade falaram em até R$ 1.250 por tonelada CIF para fevereiro, desde que o trigo fosse de alto padrão. No Norte do estado, houve maior dinamismo, com negócios ao redor de R$ 1.250 por tonelada CIF para entrega imediata e cerca de R$ 1.270 por tonelada para fevereiro e março.
No Rio Grande do Sul, o mercado permaneceu praticamente parado ao longo da semana. No porto, as indicações giraram em torno de R$ 1.155 por tonelada, com entrega em fevereiro e pagamento em março, sem interesse comprador. No interior, os moinhos sinalizaram preços entre R$ 1.050 e R$ 1.070 por tonelada para embarque em março, mantendo foco na gestão de estoques.
Segundo Bento, o balanço estadual aponta uma oferta total de cerca de 3,9 milhões de toneladas, com sobra técnica estimada entre 120 mil e 320 mil toneladas. “Pequenos desvios na moagem, nas exportações ou no ritmo das importações podem rapidamente gerar aperto de oferta, sobretudo para trigo de melhor qualidade”, alerta.
Em São Paulo, foram registrados negócios pontuais ao longo da semana, com operações CIF para março entre R$ 1.400 e R$ 1.450 por tonelada, refletindo a maior dependência do estado de trigo de padrão mais elevado e de origem externa. O volume negociado ficou estimado entre 10 mil e 15 mil toneladas, indicando fluxo ainda contido, porém ativo para atender demandas específicas da indústria.
No plano fundamental, Bento ressalta que o mercado segue mais ajustado na safra 2025/26 em relação a ciclos anteriores, embora com abastecimento considerado confortável. “Independentemente de movimentos momentâneos causados pelo descompasso entre oferta e demanda de curto prazo, a análise dos fundamentos mostra que os preços tendem a buscar as linhas de paridade de importação”, conclui o analista.
Anec
Dados divulgados na terça-feira (20) pela Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC) projetaram que o Brasil deve embarcar 329,699 mil toneladas de trigo em janeiro. No mesmo mês do ano passado, o país exportou 660,691 mil toneladas. Durante de 2025, foram 2,324 milhões de toneladas.
Na semana encerrada em 17 de janeiro, o Brasil embarcou 147,330 mil toneladas. Para o período entre 18 e 24 de janeiro, a ANEC não indica nenhum volume.
Ritiele Rodrigues – ritiele.rodrigues@safras.com.br (Safras News)
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