São Paulo, 22 de janeiro de 2026 – O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, disse que a decisão do governo é de acelerar o processo relacionado ao acordo entre o Mercosul e a União Europeia, com o encaminhamento, à Câmara dos Deputados, de uma proposta de internalização do tratado.
“A decisão do governo é de acelerar o processo. Após 25 anos de trabalho, teve um percalço, mas vamos superá-lo. O governo vai encaminhar ao Congresso, à Câmara federal, a proposta de internalização do acordo Mercosul-União Europeia, e o senador Nelson Trad dará toda a celeridade. Quanto mais rápido a gente agir, melhor”, disse.
A declaração foi dada após reunião com o senador Nelsinho Trad (PSD-MS), que preside a Comissão de Relações Exteriores do Senado Federal e é vice-presidente do Parlamento do Mercosul (Parlasul), que tratou da judicialização do acordo Mercosul-UE, que deve suspender sua aplicação por dois anos.
Segundo o vice, isso ajudará a auxiliar a vigência provisória do acordo junto à Comissão Europeia, enquanto há uma discussão judicial.
Ontem (21), por 10 votos, os eurodeputados levaram o acordo à justiça europeia, o que pode suspender o acordo por dois anos.
Alckmin disse que o governo brasileiro buscará evitar a suspensão do acordo durante o processo judicial.
“Eu entendo que o acordo Mercosul-UE vem num momento histórico, não só porque é o maior acordo do mundo, mas num momento em que o mundo precisa, num momento de instabilidade geopolítica, de protecionismo. Então, é um grande exemplo de que, pelo diálogo, pelo entendimento, você pode abrir mercado, fortalecer o multilateralismo, estimular investimentos recíprocos, ter ganhos na sustentabilidade. [O acordo] aproxima os povos, é um exemplo para o mundo nesse momento. E é por isso que o Brasil não vai parar. O Brasil vai continuar com o processo, encaminhando o pedido ao Congresso Nacional para internalização do acordo”, disse Alckmin, em entrevista a jornalistas após a reunião com o senador.
O vice disse, no entanto, que a suspensão do acordo não depende do Brasil, mas que a iniciativa é uma tentativa de diálogo para agilizar o processo junto à Comissão Europeia. “É um percalço que será superado”, estima o vice.
“O presidente Lula lutou muito por esse acordo”, acrescentou.
O senador vai receber a embaixadora da União Europeia e disse que a expectativa é de que o encontro seja positivo.
“A expectativa é de muito otimismo, até porque, no âmbito do parlamento a divergência é dinâmica e natural. Mas temos que sempre procurar superá-la. E é isso que nós, parlamentares brasileiros, com os quais eu tenho mantido contato, vamos procurar fazer. Entendemos que um acordo dessa natureza é algo muito propositivo, sob o aspecto positivo, para toda a sociedade brasileira”, comentou o senador.
O senador disse que o acordo tem impacto direto para a indústria e para o agronegócio brasileiro. “A nossa parte nós vamos fazer, a parte brasileira”, ressaltou.
“E eu sinto também, fazendo parte do Parlasul, que há uma harmonia no sentido de dar celeridade a toda essa tramitação. Então, vamos aproveitar esse ambiente, que às vezes pode mudar, e fazer com que ele possa tramitar o mais rápido possível”, acrescentou.
Trad disse que o assunto será prioridade no retorno do Congresso. Ele disse que o presidente da Câmara, Hugo Motta, já deu declarações nesse sentido, no final do ano passado, de que vai colocar o assunto como item prioritário na próxima reunião de líderes e que também teve conversas com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, no mesmo sentido. “Eu tenho a convicção do que a gente puder fazer para acelerar isso e fazer chegar na ponta, para a população brasileira, o benefício que esse acordo traz, nós vamos fazer, garantiu.
Cynara Escobar – cynara.escobar@cma.com.br (Safras News)
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