Porto Alegre, 16 de janeiro de 2026 – O mercado brasileiro de arroz encerrou a primeira quinzena de janeiro ainda sob forte rigidez operacional e baixa fluidez comercial, especialmente no Rio Grande do Sul, onde as negociações permanecem praticamente travadas.
“A movimentação observada é residual e concentrada no cumprimento de contratos vinculados aos leilões de PEP e Pepro realizados no período do Natal, os quais, inclusive, seguem cercados por incertezas operacionais e logísticas, limitando qualquer efeito mais estruturante sobre os preços”, relata o analista e consultor de Safras & Mercado, Evandro Oliveira.
Do lado da demanda, o cenário é marcado por clara dualidade. “Casos pontuais de compradores aceitando pagar prêmios marginais para recomposição de estoques coexistem com a retração de outros agentes, que visam ofertas mais baratas diante da incapacidade de repasse de custos ao arroz beneficiado, em um varejo ainda extremamente pressionado”, pondera.
Nesse contexto, a exportação segue se consolidando como principal válvula de escape do excedente doméstico. “As referências externas continuam relativamente mais atrativas do que as internas, intensificando a urgência de escoamento para fora do país”, destaca.
Contudo, lembra Oliveira, a apreciação do real, com o dólar ao redor de R$ 5,35, atua como fator limitante adicional, reduzindo a competitividade das vendas externas e, simultaneamente, tornando as importações mais atraentes, o que amplia a pressão sobre o mercado doméstico.
A média da saca de 50 quilos de arroz no Rio Grande do Sul (58/62% de grãos inteiros, pagamento à vista) encerrou o dia 15 cotada a R$ 52,43, alta de 0,11% em relação à semana anterior. Na comparação com o mesmo período do mês passado, a queda era de 0,21%. Em relação a 2025, a desvalorização atingia 47,85%.
Rodrigo Ramos/ Agência Safras News
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