Refinarias independentes chinesas devem substituir o petróleo venezuelano por petróleo pesado de outras origens, especialmente do Irã, nos próximos meses. A mudança ocorre após um acordo entre Caracas e Washington para exportar até US$ 2 bilhões em petróleo venezuelano para os Estados Unidos.
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou o plano depois da captura de Nicolás Maduro. Esse acordo tende a redirecionar os fluxos globais de petróleo e reduzir o fornecimento venezuelano à China, maior importadora mundial de petróleo bruto.
A redução afeta principalmente as refinarias independentes chinesas, conhecidas como teapots, que utilizam petróleo pesado venezuelano com desconto. Ainda assim, analistas destacam que há ampla oferta de petróleo sancionado da Rússia e do Irã, o que deve evitar uma corrida por petróleo não sancionado. Em 2025, a China importou cerca de 389 mil barris por dia de petróleo venezuelano, equivalentes a 4% de suas importações marítimas totais. Por outro lado, embarques para a Ásia foram interrompidos desde o início de janeiro.
Apesar disso, o petróleo venezuelano já embarcado e armazenado em navios na Ásia é suficiente para cobrir cerca de 75 dias da demanda chinesa. A partir de março e abril, as teapots devem recorrer mais ao petróleo iraniano e russo, além de avaliarem alternativas não sancionadas como Canadá, Brasil, Iraque e Colômbia. O petróleo Iranian Heavy surge como a opção mais barata, com desconto de cerca de US$ 10 por barril em relação ao Brent, enquanto outros tipos, como os canadenses, também ficaram mais competitivos recentemente.

