São Paulo, 5 de janeiro de 2026 – Os investidores avaliam os impactos do ataque dos Estados Unidos à Venezuela que resultou na deposição do presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, especialmente para o petróleo e o câmbio. As incertezas pairam sobre o controle dos Estados Unidos sobre o petróleo do país, que tem a maior reserva petrolífera do mundo e tem como principal mercado externo a China. Trump disse que as empresas norte-americanas vão reconstruir o setor petrolífero venezuelano e vender para clientes globais, mas não para a China.
No sábado (3), diversas explosões foram registradas em bairros da capital venezuelana Caracas. Em meio ao ataque militar, orquestrado pelos Estados Unidos, o presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados por forças de elite norte-americanas e levados para Nova York.
O ataque marca um novo episódio de intervenções diretas norte-americanas na América Latina. A última vez que os Estados Unidos invadiram um país latino-americano foi em 1989, no Panamá, quando militares sequestraram o então presidente Manuel Noriega, acusando-o de narcotráfico.
Assim como fizeram com Noriega, os Estados Unidos acusam Maduro de liderar um suposto cartel venezuelano chamado De Los Soles, sem apresentar provas. Especialistas em tráfico internacional de drogas questionam a existência do cartel.
O governo de Donald Trump oferecia uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem a prisão de Maduro.
Para críticos, a ação é uma medida geopolítica para afastar a Venezuela de adversários globais dos Estados Unidos, como China e Rússia, além de exercer maior controle sobre o petróleo do país, que é dono das maiores reservas de óleo comprovadas do planeta.
Maduro e sua esposa são esperados hoje no Tribunal Federal do Distrito Sul de Manhattan, em Nova York, às 14h do horário de Brasília. Eles serão notificados formalmente das acusações pela Justiça dos EUA. Mas o julgamento sobre o caso pode durar mais de um ano.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenou o ataque e pediu uma resposta da Organização das Nações Unidas (ONU) ao episódio, além de se colocar a disposição para promover o diálogo e a cooperação. A ação também foi criticada pela presidente do México e pelo presidente da Colômbia.
A pedido da Colômbia, o Conselho de Segurança da ONU se reúne hoje às 12h para discutir a captura de Maduro pelos EUA. O Brasil participa, mas não tem direito a voto.
O representante do Brasil na Organização das Nações Unidas, Sérgio Danese, deve reafirmar a posição brasileira de que a ação militar da Casa Branca na Venezuela é uma afronta à soberania do país sul-americano, e às regras do direito internacional.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse estar profundamente alarmado com a ação dos EUA na Venezuela, que estabelece um precedente perigoso, comentou, em um comunicado no sábado (3).
Após o ataque à Venezuela, Trump disse que uma nova operação militar, contra a Colômbia, ‘soa bem’ e voltou a defender a tomada de controle da Groenlândia.
Na agenda de indicadores, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) deve divulgar hoje o seu boletim mensal com os dados produção de petróleo e gás natural no Brasil no mês de novembro de 2025.
A Fundação Getulio Vargas (FGV) divulgou às 8h o Indice de Confiança Empresarial (ICE) referente a dezembro, que avançou 0,3 ponto, para 90,8 pontos. Na métrica de médias móveis trimestrais, o índice avançou 0,1 ponto, a segunda alta consecutiva.
A FGV também publicou que o IPC-S Capitais referente à 4a quadrissemana de dezembro avançou 0,28% e acumula alta de 4,00% nos últimos 12 meses. Nesta apuração, cinco das oito classes de despesa registraram acréscimo em suas taxas de variação. A maior contribuição foi do grupo Alimentação (de -0,04% para 0,13%).
Às 10h15, a FGV divulga ainda o Indicador de Incerteza da Economia Brasil (IIE-Br) referente a dezembro.
A S&P Global divulga, às 10h, o índice dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) de Serviços referente a dezembro.
CORPORATIVO
A Vibra confirma que deu a largada no plano para tornar o negócio de lubrificantes um motor de crescimento da rentabilidade da companhia no Brasil e na América Latina, por meio da marca Lubrax, em resposta a questionamento da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre reportagem publicada pelo Valor Econômico no dia 30 de dezembro de 2025. Em entrevista ao veículo, o vice-presidente da unidade de negócios de lubrificantes da empresa, Marcelo Fernandes Bragança disse que além de crescer no Brasil, a Vibra ambiciona conquistar a liderança em lubrificantes no mercado latino-americano até 2030 e o plano terá início pela Argentina, país no qual a empresa abriu um escritório e produzirá o lubrificante. Ele também disse que a expectativa é que as mudanças façam o negócio de lubrificantes ultrapassar 10% do lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) nos próximos dois anos. E que cresça dois dígitos em 2026.
A B3 informou na sexta-feira (2) que o Ibovespa, principal índice de ações da bolsa do Brasil, encerrou o ano de 2025 consolidando uma trajetória marcada por 32 recordes de fechamento. Com uma valorização acumulada de 34% nos doze meses, o índice registrou seu melhor desempenho anual desde 2016, quando a performance foi de 39%. O atual recorde é de 4 de dezembro, quando o índice atingiu 164.455,61 pontos. No fechamento do último pregão do ano, na terça-feira (30), teve alta de 0,40% aos 161.125,37 pontos.
Cynara Escobar – cynara.escobar@cma.com.br (Safras News)
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