Porto Alegre, 2 de janeiro de 2026 – A suinocultura brasileira caminhou para encerrar 2025 com um balanço positivo, sustentado por preços estáveis ao longo do ano e custos de produção controlados, garantindo níveis consistentes de rentabilidade ao setor. Esse ambiente favorável cria uma base sólida para 2026, ano que deve manter a trajetória de crescimento, ainda que de forma moderada, com forte protagonismo do mercado externo.
Segundo estimativas de Safras & Mercado, as exportações brasileiras de carne suína devem atingir 1,545 milhão de toneladas em 2026, superando as 1,453 milhão de toneladas projetadas para o fechamento de 2025. O avanço de 6,32% reforça a importância do comércio internacional como principal vetor de sustentação do setor no próximo ano.
Conforme o analista de Safras & Mercado, Allan Maia, as Filipinas seguem como o principal destino da carne suína brasileira, impulsionadas por dificuldades estruturais em sua produção interna, ainda afetada pela peste suína africana (PSA), além do crescimento da demanda doméstica. Ao mesmo tempo, o Brasil avança na diversificação de mercados. O Japão amplia gradualmente suas compras, inicialmente concentradas em plantas habilitadas de Santa Catarina, com expectativa de expansão para outras regiões produtoras.
Além disso, o México desponta como mercado promissor. Embora a proximidade geográfica favoreça a carne suína dos Estados Unidos, eventuais tensões comerciais entre os dois países podem abrir espaço para maiores volumes brasileiros. A Coreia do Sul, ainda com embarques modestos, segue no radar, enquanto o Vietnã mantém compras crescentes, limitado por recorrentes casos de PSA. Países vizinhos, como Argentina, Chile e Uruguai, também representam oportunidades adicionais para o produto nacional.
Em contrapartida, a China deve permanecer com volumes de importação inferiores aos observados no início da década. Maia explica que a ampla oferta interna e um ambiente econômico ainda incerto tendem a limitar a demanda chinesa no curto prazo.
Para o analista, no cenário global, a carne suína brasileira se mantém competitiva em qualidade e preço. A União Europeia, principal concorrente, enfrenta custos elevados e restrições sanitárias, o que limita aumentos de produção e mantém preços altos no bloco. Maia afirma que a preocupação com a PSA, inclusive com registros recentes em javalis no oeste europeu, reforça a tendência de maior participação de Brasil e Estados Unidos nas exportações globais nos próximos anos, em detrimento do produto europeu.
Para 2026, a produção brasileira de carne suína deve alcançar 5,702 milhões de toneladas, frente às 5,587 milhões estimadas para 2025, crescimento de 2,07%. “O avanço moderado contribui para o equilíbrio do mercado interno, evitando pressões excessivas sobre preços”, diz Maia.
Ainda assim, o analista ressalta que o ambiente macroeconômico exige atenção. O crédito caro em 2025 limitou investimentos e, apesar da expectativa de recuo nos juros, os patamares devem seguir elevados, com riscos associados à inflação persistente. O ano eleitoral tende a ampliar os gastos públicos, pressionando o cenário fiscal e aumentando a volatilidade cambial, fatores que podem afetar custos e consumo.
Sazonalmente, o primeiro trimestre segue sendo um período mais desafiador para o consumo, devido ao peso das despesas das famílias, dificultando reajustes ao longo da cadeia. Contudo, Maia afirma que a partir do segundo semestre a demanda tende a ganhar fôlego. O comportamento das proteínas concorrentes também será determinante, pois preços mais altos da carne bovina favorecem a carne suína, enquanto inflação elevada e juros altos mantêm o frango como opção mais acessível.
Pedro Carneiro (pedro.carneiro@safras.com.br) / Safras News
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