Porto Alegre, 2 de janeiro de 2026 – O ano de 2026 deve começar com um cenário de grande preocupação para a cadeia produtiva de carne bovina, não apenas do Brasil, mas mundial também. O ponto de atenção, de acordo com o analista de Safras & Mercado, Fernando Iglesias, leva em conta o resultado das investigações conduzidas pela China sobre prejuízos aos produtores locais com as importações de carne bovina feitas pelo país. Essas resultaram em medidas de salvaguardas às importações que passaram a valer ontem (1) e que terão duração prevista até 2028.
Iglesias sinaliza que, alegando fortes danos à indústria local, a imposição de quotas por parte da China aos principais fornecedores de carne bovina pode trazer um impacto muito significativo aos rumos do mercado mundial, com uma possível sobra de oferta e, consequentemente, com uma queda bastante significativa dos preços.
Por conta das quotas adicionais de importação impostas pela China aos Brasil, Estados Unidos e Austrália, que chegará a 12% dentro do limite de venda estabelecido e de 55% para volumes adicionais, o desempenho das exportações de nosso país deverá ficar comprometido. “O Brasil ainda terá a maior quota entre todos os países, de 1,106 milhão de toneladas para exportação em 2026, de uma quota total de 2,7 milhões de toneladas, mas a medida abre um precedente preocupante, uma vez que o país é bastante dependente da China nas exportações. O Brasil precisaria compensar as menores vendas à China com uma maior demanda por parte dos Estados Unidos, União Europeia e Japão”, avalia.
Safras & Mercado projeta que o Brasil poderá exportar 4,577 milhões de toneladas de carne bovina em equivalente carcaça em 2026, recuando 8,62% frente ao volume previsto para 2025, de 5,009 milhões de toneladas.
Mercado interno deve registrar abates de bovinos mais ajustados
Em meio ao cenário incerto criado pela China, um fato concreto é que os abates de bovinos no Brasil deverão ser menores em 2026, por conta da consolidação da inversão do ciclo pecuário. A expectativa é de que eles fiquem em 39,912 milhões de cabeças, com uma queda de 2,76% frente ao volume recorde esperado para 2025, de 41,044 milhões de cabeças, segundo Iglesias.
A queda prevista nos abates para o próximo ano deve levar em conta a menor participação de fêmeas, que devem representar em torno de 43% do volume total previsto, ao redor de 17,15 milhões de cabeças.
A expectativa é de que a produção de carne bovina no Brasil em 2026 fique em 10,984 milhões de toneladas, em equivalente carcaça. O número deve ficar 3,58% abaixo da maior produção da história prevista para 2025, que deverá atingir 11,392 milhões de toneladas, em equivalente carcaça.
Preços ao consumidor brasileiro podem cair em 2026?
Para Iglesias, a resposta para esta pergunta está atrelada diretamente ao cenário de exportação para a China. Como o país asiático adotou restrições às compras de carne bovina do Brasil, é possível que 2026 seja marcado por preços menos proibitivos dos cortes.
A demanda, de forma geral, pode ser beneficiada no período de realização da Copa do Mundo em 2026. Entretanto, o acesso à proteína ainda pode ficar restrito à grande parte da população brasileira por conta do contexto macroeconômico no Brasil, que deve seguir bastante complicado, diante da dívida pública elevada, crédito caro, juros muito elevados e endividamento alarmante.
Por conta deste cenário, Safras sinaliza que a oferta interna de carne bovina em 2026 deverá atingir 6,453 milhões de toneladas em equivalente carcaça, 0,51% acima das 6,420 milhões de toneladas previstas para serem disponibilizadas em 2025.
Preço atrativo dos grãos deve favorecer novamente a atividade de confinamento bovino
No entendimento de Iglesias, a expectativa para a safra de grãos brasileira de milho e soja em 2025/26 se mostra muito favorável, o que tende a fazer com que os custos de produção para a atividade de confinamento permaneçam bastante atrativos aos pecuaristas.
Conforme Iglesias, a expectativa é de que a atividade de confinamento em 2026 possa ser ainda maior que o volume recorde esperado para 2025, de 8,371 milhões de cabeças, ficando ao redor de 9 milhões de cabeças.
O analista comenta que as estimativas de Safras & Mercado indicam que o país tende a colher uma safra recorde de soja, acima de 178 milhões de toneladas, além de uma safra bastante robusta de milho, superior a 143 milhões de toneladas. “Tal condição deve favorecer fazer com que os custos de produção sigam atrativos, favorecendo novamente a atividade de confinamento”, conclui.
Arno Baasch (arno@safras.com.br) / Safras News
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